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The Big Stupid Review

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A Boneca - Parte 3

Por Natalia Emery Trindade

A filha não chorou, por orgulho. A tarde passou tranqüila no silêncio do quarto, quase indolor. A boneca sentiu fome. Aliviou o vazio do estômago abrindo as feridas das pernas, e comendo as casquinhas cicatrizadas. Isso aliviou um pouco sua alma subnutrida.

Quando a tarde morreu, a mãe decretou fim do castigo, e abriu a porta do calabouço, para permitir a entrada da liberdade.

besuro vermelho

- Pode sair.

- Mas, eu ainda não cheguei a 100 vezes.

- Não faz mal, já pode parar, disse a mãe, generosamente.

A mãe parecia exausta e disposta a travar a paz novamente. A boneca sentiua paz chegando, quase a podia tocar com as mãos. Em questões de segundos, elas reatariam laços, e a guerra estaria terminada. A boneca já havia hasteado a bandeira branca. Agora, era preciso muito cuidado, pisar devagar, sem barulho, para não interromper o curso natural das coisas. Temeu o abismo, que poderia separá-las a qualquer instante. Um passo em falso, e seria o fim. Por que sempre tinha que ser assim? O perigo iminente, o precipício sob o próximo passo. Notou o olhar feroz da mãe sobre suas pernas.

- Você abriu as feridas outra vez? Eu não acredito nisso, menina!

A boneca mirou os olhos da mãe, aterrorizada.

- Desculpe, mãe. Foi sem querer. Prometo que não faço nunca mais.

- Isso você já tinha prometido da última vez. Eu vou ensinar você a parar com essa mania nojenta.

E agarrou a boneca pelos cabelos. Levou-a até à cozinha, apanhou algo dentro do armário e empurrou a filha até à varanda.

- Põe já essa perna sobre a mureta.

A filha obedeceu. As feridas abertas exibiam um buraco fresco e pus na periferia. Ela fazia aquilo há tanto tempo, que a inflamação das feridas já vinha desde o ventre materno. A menina não chorava. Ela tinha medo daquela mulher, que um dia lhe disseram ser sua mãe.

A mãe olhou para a perna estendida sobre a mureta da varanda. Estava exausta. Aquelas feridas, expostas para o mundo sobre aquelas pernas duras, eram a impressão de sua própria dor, de seu próprio fracasso.

Abriu a garrafa de álcool e despejou metade do conteúdo sobre a perna. A filha contorceu o rosto. Sofria menos pela ardência das feridas banhadas de álcool, do que pelo desamor e medo que sentia pela mãe.

Então, a mãe, num gesto de resignação, e pressentindo que aquilo jamais cessaria, que aquelas feridas jamais cicatrizariam, despejou o resto do álcool sobre a cabeça e o corpo da boneca. Depois, apanhou a caixinha de fósforo ao lado da churrasqueira e riscou um palito.

Os cabelos de nylon queimaram como palha seca. Os olhos de gude da boneca olharam para a mãe através das chamas, enquanto elas derretiam seu rosto estático e mortal, e devoravam sua pele solta. As labaredas e as feridas da perna confundiram-se no vermelho da dor exposta. O cachorro latiu, assustado com o fogo. Um cheiro de plástico queimado impregnou o ar. O espírito da boneca subiu, como fumaça densa e negra, em direção ao céu.

Pinturas pelo autor

© Natalia Emery Trindade 2006